Astrologia e Tarô  - Visconde de Mauá
 
 
 Periodicamente passamos por fases de insatisfação e desejo de mudanças, quando procuramos reavaliar o caminho que temos trilhado. Essas fases coincidem, em sua maioria, com trânsitos de determinados planetas com um ponto importante no mapa natal. O ciclo individual desses astros, principalmente de Júpiter a Plutão, mostra períodos de crise, quando são favorecidas as mudanças necessárias ao nosso crescimento.
           Cada planeta se desloca em sua órbita, percorrendo todo o zodíaco, até voltar novamente para o seu lugar natal. Nesta trajetória ele vai formando aspectos consigo mesmo, em relação à sua posição original, acentuando sua influência na vida da pessoa. Os aspectos mais importantes acontecem quando o astro em questão passa por quatro pontos principais: a primeira quadratura, a oposição, a segunda quadratura e a conjunção a si mesmo, ou sua revolução. 
           Saturno, por exemplo, leva 28 anos para completar sua órbita, formando aspectos desafiadores consigo mesmo a cada sete anos, com profundas repercussões na vida de cada um de nós. Já no caso de Netuno, apenas duas vezes na vida – a cada 42 anos – nos defrontamos com seus aspectos desafiadores, já que ele leva 168 anos para fazer uma volta completa no zodíaco.
           Este ciclo dos planetas geralmente significa períodos de mudanças na vida, tanto externas quanto internas. São fases de crises, geralmente acompanhadas de angústia e da necessidade de tomar decisões. São também fases de crescimento em todos os sentidos.
           Uma órbita completa de Urano leva 84 anos para ser completada. Este parece ser um número mágico em nosso sistema, além de corresponder, aproximadamente, à duração da vida humana. Talvez seja por isso que o astrólogo Dane Rudhyar sugeriu ser este, também, o tempo necessário ao desenvolvimento completo do homem, como personalidade individualizada. Quem viver ao longo desse tempo vai experimentar em sua vida algumas relações mágicas: terá vivido exatamente três ciclos completos de Saturno (28 anos cada) e sete de Júpiter (12 anos).
           Os ciclos de Júpiter representam períodos em que o impulso de expansão se manifesta. Numa espiral ascendente, os ritmos desses ciclos mostram o esforço do indivíduo em se desenvolver mental, material e espiritualmente, e cada uma das sete voltas do planeta ao lugar de origem marca um momento importante de nossa existência.
           Já os retornos de Saturno mostram fases em que a pessoa tem oportunidade de dar um novo significado à própria vida, pois este planeta tem a ver com o tempo e com o trabalho que temos que realizar. Por ser ele o planeta que estabelece a estrutura, define e focaliza de forma particularizada o poder do Sol.
 
Ciclos de Júpiter
 
           Para se ter uma idéia da importância de Júpiter, basta dizer que o horóscopo chinês é baseado no seu ciclo. Ou então é só observar algumas relações importantes que existem entre ele e outros planetas igualmente fortes na psicologia de cada um de nós: para dar uma volta completa em torno do zodíaco, Júpiter leva 12 anos; 12 revoluções suas correspondem a um ciclo completo de Urano, que é de 84 anos e, em geral, são 12 também o número de vezes em que ele faz seu retorno na vida de uma pessoa: aos 12, 24, 36, 48, 60, 72 e 84 anos. Estas idades são marcos importantes, especialmente no que se refere à expansão do indivíduo.
           Os retornos de Júpiter indicam períodos de questionamento ético e filosófico, desenvolvimento espiritual e oportunidades materiais. Eles são importantes, pois servem de compensação aos ciclos de Saturno. Nas fases jupiterianas não entramos propriamente em crises pessoais e profissionais, e as dificuldades mais sérias irão surgir durante os ciclos de Saturno, Urano, Netuno e Plutão.
 
Ciclos de Saturno
 
           Os ciclos de Saturno são os que mais se referem à vida profissional e obrigam o indivíduo a crescer, pois sempre que a pessoa passa por uma fase saturnina, ela parte para uma nova etapa de sua existência. É o que acontece a cada 28 anos, quando o planeta faz seu retorno na vida de cada um de nós. E quem viver ao longo de um ciclo completo de Urano – 84 anos – passa, portanto, por três retornos de Saturno. Em cada um desses ciclos existem quatro períodos críticos, de sete em sete anos, quando o planeta faz aspectos desafiadores a ele mesmo.
           Começam as fases críticas com a primeira quadratura, aos sete anos: é a idade da razão, da alfabetização. Pela primeira vez a criança questiona a autoridade quase divina dos pais, e depois a dos professores. É uma época de muito conflito e de necessidade de auto-afirmação. A próxima crise, a oposição de Saturno, é aos 14 anos, época da adolescência, com todas as suas mudanças físicas e mentais. Os vinte e um anos, segunda quadratura, também são críticos – a maioridade, quando normalmente o indivíduo começa a se responsabilizar pelo próprio sustento.
           Cada ciclo de Saturno tem também uma função especial. Durante o primeiro deles, de 0 a 28 anos, a pessoa desenvolve uma personalidade adulta. O retorno do planeta dá início a uma nova etapa, em que o aspecto profissional adquire um papel preponderante na sua vida. É um período que muitas alterações e reformulações, conhecido como “crise dos 30”. Quem está passando por ela tem a percepção aguda de que alguma coisa terminou, e há uma tendência a avaliar o ciclo passado em função da produtividade profissional, já que o trabalho em nossa sociedade está profundamente identificado com a imagem do adulto e centraliza esta fase da vida. A profissão pode se tornar um problema sério, e os que estão insatisfeitos com ela passam por um período difícil e cheio de questionamentos. Em muitos casos, o retorno de Saturno indica uma mudança radical em relação à carreira.
           O próximo momento crítico é a quadratura, aos 36 anos. Nesta idade as mudanças de profissão já são mais difíceis, e as oportunidades de empregos diminuem, especialmente para as mulheres. É preciso então mobilizar a criatividade de Urano para resolver o impasse. A segunda oposição de Saturno ocorre aos 42 anos, na famosa “crise da meia idade”. Esta época coincide com os ciclos de Urano e Netuno, e às vezes com o de Plutão. Muita gente se separa nesta idade, ou faz mudanças radicais na profissão. Mudanças importantes no trabalho podem também acontecer na quadratura seguinte, aos 49 anos. Mas o segundo retorno de Saturno, aos 56 anos, é o marco de uma nova etapa da vida.
           Começa aí a fase da sabedoria. Como observa Rudhyar, uma mente criativa, um homem de Estado ou escritor, normalmente não deixa sua marca antes dos sessenta anos. Para a maioria das pessoas, está é a fase da aposentadoria. Os filhos estão criados, as obrigações para com a sociedade cumpridas. Mas é também a hora em que muitos iniciam uma nova atividade, geralmente alguma coisa que sempre desejaram fazer mas que nunca tiveram oportunidade. Na Índia é comum as pessoas se desfazerem de seus bens nesse período, e irem viver uma vida voltada para a espiritualidade, num ashram ou no alto das montanhas. Este ciclo de Saturno é, portanto, a fase das grandes realizações. Muitos concretizam, ao longo dele, algum projeto para o qual trabalharam durante muitos anos.
           Mas é verdade, também, que numa sociedade como a nossa, dominada pelos valores impostos pela mídia e pela glorificação da juventude, o segundo retorno de Saturno pode ser um período extremamente difícil. É bem melhor para os que têm alguma orientação espiritual e já se desligaram um pouco da vida material. A carta número 9 do tarô, o Eremita, simboliza o lado mais positivo de Saturno, que é a busca pela sabedoria e luz interior.
 
Ciclos de Urano
 
Quando Urano desafia o indivíduo através de seus ciclos, este se verá forçado a dar uma nova direção e significado à sua vida. Se ele for do tipo subserviente às regras preestabelecidas e, portanto, com grande resistência às mudanças, pode passar por problemas sérios num ciclo uraniano, criando uma barreira de conflito.
           O primeiro aspecto desafiador de Urano, a quadratura a si mesmo, pode ocorrer entre 18 e 21 anos (por ter órbita irregular, o momento em que isto acontece pode variar). Esta fase de mudanças radicais – o início da vida profissional, e às vezes o casamento – ganha muita força por coincidir com a segunda quadratura de Saturno, aos 21 anos. Mas o momento mais importante no ciclo de Urano é sua oposição a si mesmo, entre 38 e 42 anos. Como o retorno de Saturno, aos 28 anos, este é um período marcante de transição e de reorientação psicológica. É uma época de profunda insatisfação, de necessidade de maior auto-expressão, quando se tem vontade de largar tudo e partir para outra. É a idade em que muitos casais, aparentemente bem casados, se separam: as pequenas insatisfações, que se acumularam durante anos, tomam forma e explodem. Nessa época, muitos se sentem frustrados com sua vida profissional, e a energia rebelde e inovadora uraniana que estão recebendo, faz com que tenham coragem de mudar as coisas. Este ciclo freqüentemente coincide com o de Netuno e Plutão.
           Aos 63 anos, aproximadamente, Urano faz sua última quadratura a si mesmo. Este período traz muitas mudanças e readaptações: o desgaste físico já se faz sentir, trazendo problemas de saúde ou redução de capacidade, como audição e visão. É para muitos a época real da aposentadoria, que pode representar a perda das estruturas. Urano sempre implica em uma maior liberdade e independência e alguns se sentem mais intensos e revitalizados neste período, mais livres e seletivos em relação ao que realmente importa para eles. 
 
 Ciclos de Netuno
 
           Tendo uma órbita cuja duração aproximada é de 168 anos, não vivemos um ciclo completo de Netuno, mas apenas dois aspectos dele, a quadratura e a oposição. No primeiro, que pode ocorrer entre os 36 e os 42 anos (sua órbita também é irregular), elementos irracionais invadem a consciência e abalam as crenças em tudo aquilo que a pessoa julgava sólido e válido em sua vida. A sensação que ela tem é a de que alguma parte sua está se dissolvendo, pois algo mudou e ela não consegue racionalizar ou controlar conscientemente o que está acontecendo. Tudo começa a perder o sentido, o que pode causar muito medo.
           É um período de crise espiritual, e os sentimentos são estimulados por um profundo anseio, pela visão de um mundo mais perfeito e de uma alegria muito maior. Muitos se conscientizam agora dos seus desejos insatisfeitos, dos sonhos e ideais não realizados. Tornam-se apáticos ou deprimidos na perspectiva de sacrificarem suas fantasias. Outros querem partir para um lugar distante, longe do barulho da cidade, das obrigações do cotidiano, perto da natureza. É também a época em que muita gente começa a adquirir valores espirituais, a olhar para dentro de si, e a procurar novos ideais.
           O segundo aspecto dissonante de Netuno a si mesmo, a oposição, se dá em torno dos 84 anos, que coincide com a revolução de Urano. É um momento de expansão de consciência, embora inicialmente possa provocar certa confusão. O indivíduo passa a perceber uma nova relação entre as coisas e adquire uma percepção ampliada da realidade. Para alguns, pode coincidir com o fim da vida, a dissolução do corpo físico e a partida para outras dimensões.
 
Ciclos de Plutão
 
           Devido à sua órbita de longa duração, costumamos experimentar em nossas vidas não mais do que um dos ciclos de Plutão, que corresponde à sua primeira quadratura consigo mesmo. Isto pode ocorrer em diferentes idades, já que o planeta apresenta uma inclinação de sua órbita no percurso através do zodíaco. Tudo depende da época em que a pessoa nasceu: caso tiver sido no início deste século, será por volta dos 58 anos, e se for da metade em diante a quadratura será mais cedo, entre 38 e 42 anos.
           Esta fase corresponde a um período de transformação e regeneração. A pessoa pode tomar consciência de muitas frustrações e descontentamentos e ter de confrontar partes de suas difíceis de serem encaradas.
           Problemas sobre os quais se esqueceu racionalmente, mas que continuaram operando no inconsciente, costumam reaparecer. Muitos travam uma luta ferrenha consigo mesmo, tentando fincar os pés na terra e resistir às mudanças. Mas durante o ciclo de Plutão muitas coisas são destruídas, e o período pode se tornar mais difícil se houver resistência por parte da pessoa. Quanto mais se desapegar das coisas, pessoas e situações, melhor será esta fase para ela. Caso tenha alimentado pensamentos negativos durante muito tempo, este ciclo pode se manifestar em forma de doença.
           Plutão é associado com emoções e ímpetos primitivos, e seus ciclos ativam o que há de mais cru, intratável e vulnerável na pessoa.  Ela pode reviver sentimentos de raiva, ciúmes, inveja e desejos de vingança. Quando reconhece e aceita esses sentimentos se reconecta com partes suas que havia reprimido e banido para o inconsciente. A energia reintegrada na sua psique será liberada e terá usos mais construtivos.
           Os desafios de Plutão através de seus ciclos costumam coincidir com o final de uma etapa de vida, de uma atividade ou de um relacionamento. Durante essas fases de crise temos a oportunidade de nos conscientizar sobre os nossos sentimentos negativos e de incorporá-los como parte integrante nossa. E como o xamã, emergir das profundezas com mais poder, com a energia bloqueada transformada em fonte de inspiração e equilíbrio.
 
 
 
 
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