Astrologia e Tarô  - Visconde de Mauá

Urano, Netuno e Plutão

        Urano, Netuno e Plutão formam a faixa mais externa de planetas do nosso sistema solar. São, portanto, os que estão mais próximos dos outros sistemas estelares à nossa volta, como se fossem intermediários, e por isso foram chamados pelo astrólogo Dane Rudhyar de “os embaixadores da galáxia”.
         Ao contrário dos outros planetas, eles giram em torno do Sol em órbitas muito extensas e irregulares. Tanto, que sequer podemos viver um ciclo completo de Netuno e Plutão durante uma vida. Em diferentes ritmos, eles levam anos para percorrer cada signo do zodíaco. Logo, cada um desses planetas terá sua localização compartilhada por todas as pessoas que nasceram na mesma época.
         As consequências disso são claras: os que pertencem a uma determinada faixa etária irão pensar de modo semelhante entre si, mas de maneira diferente dos outros grupos. É por isso que existem valores que são importantes para determinada geração e não significam nada para outra. Daí a classificação de Urano, Netuno e Plutão como planetas de geração.
         Segundo Jung, nos níveis mais básicos somos todos iguais, temos em comum os mesmos impulsos inconscientes. Tanto, que os mitos de diferentes culturas têm a mesma estrutura básica, variando só o colorido. E são estes impulsos, expressos nos instintos e pulsões que pertencem à nossa espécie, que correspondem a esses três planetas. Sua ação principal é exercida, portanto, através do inconsciente, e compreendendo-se o significado de cada um deles podemos entender melhor os valores coletivos que trazemos dentro de nós.
         Mas se os transaturninos, como são chamados, colocam o indivíduo em contato com energias que pertencem ao grupo como um todo, isto não significa que não afetem a pessoa individualmente. Pelo contrário, eles a levam ao crescimento interior, exatamente por representarem energias incontroláveis em relação à tirania do ego consciente.





 Estão associados a Urano a expansão da consciência e o encontro com novos universos. Dando razão à sabedoria da mitologia grega, que o tem como o deus alado dos espaços, o fecundador das idéias, que de tanto escandalizar com seus atos inconvencionais acabou sendo castrado por seu filho Saturno, Urano não é receoso como o filho, que teme tudo o que está fora de seu controle. Por isso contraria as leis do deus do tempo, tendo sempre a coragem de começar tudo de novo.
           Por onde quer que ande este planeta desconcertante leva consigo estímulo, perturbação e desafio. Os valores universais que simboliza não podem ser atingidos senão através de algum tipo de revolta contra os privilégios de uma minoria e contra o domínio do poder estabelecido, que são formas cristalizadas de comportamento representadas por Saturno.
           É compreensível, portanto, que para as mentes estreitas, Urano seja o desestabilizador da ordem, o destruidor da confiança que depositamos na experiência adquirida por nossos pais. Mas para as cabeças mais abertas, ele é quem inspira e revela, é o fecundador que vem do espaço criativo exterior.
           Como impulso psicológico, Urano expressa a necessidade de desviar o curso normal do comportamento, para que formas inteiramente novas de expressão possam ser criadas. Representa o instinto de se libertar do confinamento da matéria e da identificação com a forma (Saturno) para que o pensamento criativo possa se manifestar.
           Os uranianos são os primeiros a perceberem e a pregarem uma idéia, quando ela ainda está fervilhando no inconsciente coletivo. Mais cedo ou mais tarde, ela acaba sendo aceita entre as massas, mas até lá seu defensor já foi preso, queimado, envenenado ou exilado – tal como o deus das idéias, ao ser castrado por Saturno.
           Quando Urano está em destaque no mapa, a pessoa costuma se envolver em empreendimentos originais, onde possa usar sua inventividade, ou trabalhar com equipamentos elétricos ou eletrônicos, aproveitando seu talento para usar instrumentos delicados. É também atraída por projetos que substituam conceitos velhos e ultrapassados por novos e mais eficientes. Entretanto, o excesso de originalidade pode torná-la rebelde, irreverente, contrária a todas as convenções sociais.
 
   










        Um dos quatro planetas gigantes de nosso sistema, Netuno foi descoberto em 1846 e sua órbita ao redor do Sol é de 164 anos. A partir de fotos tiradas pelo telescópio espacial Hubble, em 1994, descobriram que a sua atmosfera é muito mais rápida e dinâmica do que se imaginava. As imagens do hemisfério norte do planeta revelaram uma imensa mancha escura que não havia sido registrada em fotos tiradas em 1989 pela nave Voyager-2.
                  Símbolo da espiritualidade, Netuno nos remete a outros estados de consciência e a outras realidades, que tanto podem ser paradisíacas como deprimentes. Tudo vai depender de como ele funciona em nosso mapa. O deus dos mares simboliza também os nossos ideais, sonhos, aspirações e conceitos sobre pureza e perfeição. Sua realidade, entretanto, transcende o plano físico e pertence a uma outra dimensão.
         Netuno representa a linguagem dos símbolos, usada por diversas tradições para transmitir seus ensinamentos. Através de imagens e metáforas, os símbolos falam diretamente à alma, sem a interferência da razão. Planeta da magia, do mistério e do misticismo, o deus das águas representa nossa conexão com energias mais sutis e refinadas, estimulando a visão de longo alcance, as premonições e inspiração. Sua influência marcante no mapa aumenta a capacidade mediúnica e permite que tenhamos contato com seres de esferas mais elevadas. Propiciando uma ampliação de consciência em direção a níveis superiores, esse planeta nos ajuda a sondar os reinos mais sutis da existência, onde não existem limitações materiais.
Nebuloso e misterioso, Netuno atua como uma névoa sobre o nosso psiquismo, e pode confundir e gerar ambigüidades, substituições imaginárias, informações imprecisas e inconformismo.  Um dos planetas de influência mais marcante sobre as emoções, costuma trazer tristeza, dispersão, tendências escapistas e dificuldade em lidar com o lado material. No mapa de músicos, poetas e artistas, ele vai estar invariavelmente em posição de destaque.
Quem recebe uma forte influência de Netuno sente muita compaixão e empatia em relação aos problemas dos outros, a ponto de chegar a sentir as dores alheias. Costuma perceber facilmente os pensamentos e sentimentos não expressos das pessoas com quem convive e, como uma esponja, vai absorvendo todas as vibrações do ambiente. Por conta disso, costuma ser facilmente drenado de suas energias – até mesmo pelo telefone. Em geral, as pessoas têm uma tendência a se aproveitarem da natureza empática do netuniano, descarregando sobre ele seus problemas e experiências difíceis. Para não exaurir suas fontes e manter um certo equilíbrio,  precisa aprender a manter uma certa distância em relação aos outros.
O lado mais positivo de Netuno é trazer para o plano físico a beleza dos mundos superiores, já que confere o dom de expressar na matéria uma imagem das realidades espirituais. Representando a busca de um ideal, de algo aparentemente impossível de atingir, um anseio da alma de chegar ao êxtase, o planeta é considerado uma vibração superior de Vênus, tendo sido associado às artes, principalmente à música. Mas enquanto a deusa do amor lida com a experiência da beleza e do amor do ponto de vista pessoal, a função de Netuno é elevar essas experiências a um nível que transcende as necessidades do ego.
 
 
 
Planeta mais distante do nosso sistema, Plutão é também o mais misterioso. Sua órbita é tão irregular que sua passagem por um signo pode variar de 13 a 32 anos. Quando no seu perifélio (mais perto do Sol) fica mais perto de nós que Netuno, e seu tamanho menor que o dos outros planetas esconde uma consistência bem mais densa. Alguns acreditam até que Plutão seja bem maior do que aparente, e isso talvez explique melhor sua poderosa influência sobre nós.
Assim como o Sol é o centro de nosso sistema e representa nosso centro de consciência, Plutão, o planeta mais distante, simboliza nosso inconsciente, a parte dentro de nós da qual menos sabemos. Sua descoberta, em 1930, coincidiu com um aumento inimaginável do conhecimento do homem sobre o universo e sobre si mesmo.
Plutão é um deus dotado de grande profundidade e sabedoria – sem ele só se enxerga a superfície das coisas. Ele propicia um mergulho nas profundezas do inconsciente e permite que fatores ocultos sejam revelados. Seu poder é, entretanto, psíquico em essência, pertencendo ao espírito e não à matéria. Energia mais poderosa do sistema solar, tem um aspecto de crepúsculo, de transição de uma coisa para outra.
Como um vulcão, Plutão causa revoluções, destruindo e em seguida despertando novas forças, tendo sido comparado a Shiva, o deus hindu destruidor, que expõe a verdade crua e nua e fecha capítulos que jamais serão reabertos. Executor da lei natural, o planeta representa a energia que preside as grandes mutações das eras geológicas e das espécies, sendo o símbolo da reconstituição radical – novas bases rejeitando o supérfluo. Muitas vezes age como um cataclismo, provocando um evento muito intenso que leva a uma metamorfose, a um processo de evolução acelerada.
Plutão representa as transformações psicológicas que exigem muito esforço, mas que levam ao autoconhecimento. Simboliza energias emocionais com grande conteúdo de fatores inconscientes, daí a dificuldade em contatá-los com clareza. Associado às dores trazidas da infância e que ainda afetam profundamente, o planeta representa outra dimensão de nós mesmos, um lado que ignoramos ou negamos. Fomos programados a não aceitar certas partes nossas que julgamos negativas, e a exigência da perfeição acaba nos tornando infelizes. Só nos libertamos quando aceitamos tudo o que existe dentro de nós: a dor, a mesquinharia, o ódio, a inveja, a culpa, os ciúmes e o medo.
 O deus das profundezas é dotado de forças ilimitadas e inesgotáveis, propiciando o começo de uma nova compreensão. Dono das riquezas subterrâneas da Terra, ele convida o indivíduo a se conscientizar do invisível dentro de si e a tomar posse dos seus tesouros enterrados. É Plutão que nos permite adentrar a esfera galáctica da consciência espiritual, facilitando a passagem de um nível de consciência para outro. Ele foi relacionado com a morte na medida em que a morte representa uma transformação para uma nova vida, e o seu processo foi descrito no mito da Fênix, que depois de se queimar numa pira funerária, renasce das cinzas jovem outra vez.
Quem tem Plutão destacado em seu mapa: em conjunção com o ascendente, ocupando a oitava casa, em aspecto próximo com o Sol ou a Lua, ou com as luminárias no signo de Escorpião, é um plutoniano típico. Dotado de forças ilimitadas e inesgotáveis, é enérgico, tenso e intenso, e acaba adquirindo algum tipo de poder. Costuma ser um líder nato, gostando de cutucar as pessoas e ajudando-as a trazer a tona sentimentos inconscientes.
O plutoniano costuma ser um grande estrategista e mantém a cabeça fria mesmo nos momentos mais difíceis. Tem a capacidade de extrair a essência dos fatos e das pessoas, sendo por isso muito atraído pela psicologia. Exalando um toque de vitalidade e magnetismo, nada para ele é superficial. Devido à sua extrema sensibilidade psíquica, pressente os acontecimentos e pode simpatizar ou antipatizar com as pessoas sem nenhuma razão aparente.
 
 
 
       
 
 
                                                           
 
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